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Dá imenso trabalho, isto da vida. Levantar a cada dia, sorrir, permitir que as coisas boas façam parte de nós. Às vezes apetece mandar tudo à fava, pegar no que temos de denso e fazer disso desculpa: podemos sentir-nos miseráveis porque os anos passam e continuamos a não saber quem somos, ou porque perdemos alguém muito importante, ou porque temos o coração magoado, ou porque às vezes nada à nossa volta parece fazer sentido...tanta coisa, qualquer coisa! Mas no fundo, que importa tudo isso? É preciso dizer "foda-se", sem medo, gritar se for preciso, e não deixar que todos os quês e os porquês e os pequenos dramas se apoderem e justifiquem tudo. Sair deste ciclo vicioso sem jeito nenhum, em que os nossos bloqueios bloqueiam os outros e às tantas estamos todos bloqueadíssimos e com o peito pesado por causa de coisas que já nem nos pertencem. E como desconfio que as tais "desculpas" vão fazer parte do que somos a vida toda, entre andar à deriva - levar tudo e todos atrás só porque não se sabe o que se quer - e deixarmo-nos de tretas e fazer aquele esforço extra para sermos melhores, admitamos que a segunda hipótese faz mais sentido. Respirar ajuda, tenho aprendido isso. Mas respirar à séria, com o corpo inteiro, com os ossos, até:  absorver todo o ar pelo nariz, senti-lo fresco a entrar enquanto o peito expande e o corpo inteiro vibra com o oxigénio extra, depois empurrar o ar para o fundo da garganta sentindo-o espesso e morno, para finalmente expirar pela boca e o corpo ficar leve leve leve! O resto vem com o tempo, e com tal trabalho. Nos dias de sol e calor sente-se que vale a pena, nos dias mais cinzentos há mais dúvidas mas, no fundo, é tudo uma questão de imensa e inabalável fé!