O meu fado é solidão de onde extraí o medo,
velha casa onde me arrasto como sombra polida,
sombra morta ou esquecida,
traço faminto de humanidade.
Uma e outra noite tropeço no teu corpo,
debruço-me sobre o branco ventre de um outrora amante,
agora apenas vulto esfumando-se no limiar da memória.
A melancolia instala-se como uma densa nuvem de Outono,
negra bruma ou
mortal espuma lançada à ingratidão do tempo.
A língua que ama é a mesma que mata,
repetidamente,
num tortuoso caminho
marcado a sisal
sobre a alvura da pele.
Chamo-te num uivo,
grito o teu nome à pálida esfera da noite:
abre-se o céu em vertigem quando,
na certeza das quedas futuras,
diluo na fornalha da vida o sopro último do vento.
na certeza das quedas futuras,
diluo na fornalha da vida o sopro último do vento.