Fecho o alçapão do mundo.
Encerro-me em mim mesma, sob as raízes mortas da memória de uma árvore.
Todas as coisas continuam a pairar, absortas, no lado de fora do que sou.
Já nada me toca, já nada me agarra, já nada me tenta ou me teme.
Desfaço-me em sal, cheiro a cinza, o corpo falha-me e treme.
Caí no lago amargurado da melancolia, fez agora dezasseis anos.
Não mais de lá saí. Os meus ossos são de lodo, as pernas de quebrado mármore, o coração de corrompida ferrugem.
Escuto-me do princípio do mundo à última viagem.
Faço danças inebriadas em loop.
E cada dia, um dia mais, vai passando ao largo de mim.
Mas não façam caso do drama: por dentro sou um diabo que ri desdentado em vantajosa loucura.