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Distendo os dedos num precipício de fogo,
sangue  gasto brota dos orifícios superficiais da alma,
gritam sereias de olhar negro canções de mortal ira.
O tempo cede à passagem do louco e o louco curva-se
na sombra fosca de Sansão.
Há sede de guerras e dramas, lágrimas de dor e passado.
Bebi o que restava de esperança num último gole seco,
a garganta queimada e o estômago inexistente,
o interior do corpo feito abismo podre de erros crassos.
Fracassei ou fracassámos,
é tarde,
o sol de Agosto queimou a branca pele,
acordo em recobro,
as portas da adega fechadas,
sobre a cama linho sujo,
a sina que não é minha dita ao engano.
Lanço-nos à terra sob a raiz de um carvalho,
dentes afiados perfuram a carne,
fechamos os olhos com força,
escuridão.
Negar o luto seria inútil, guerra perdida,
como querer erguer um muro com a madeira já velha da casa.