na fímbria do olhar gotas de névoa
cristalizam,
o sangue estagna oxidado nas veias e eu digo
meu amor,
para que não deixes de existir.
meu amor.
trago o teu nome ao peito, tecido numa corda
de lírios,
e um manto de sonhos, ascendendo da branca
espuma do mar.
recolhi do mundo o tempo,
as pessoas,
todas as coisas que te afastam de mim.
avançamos lentamente contra a cauda
centrípeta do vento.
fora dos teus braços há precipícios,
feras inebriadas,
escuridão absoluta.
o brilho apagado das estrelas,
na noite demoradamente sombria.
quero desenhar-te o sorriso na pele nua,
beijar-te as pálpebras, erguer-te uma casa de
amor.
renuncio aos medos e aos planos,
dou-te a mão, escuto o silêncio:
voamos juntos para onde nasce o mar.