253

hoje amanheci salgada, com memórias que julgava esquecidas estampadas nos lençóis.

não sei se foi do fumo, ou da água, ou do desenho traçado sob a pesada faixa que me cobre a alma.
saí à rua - há muito que não saía à rua - e soube no sol o fogo que me queimou os dedos, desfeitos em cinza sobre o alcatrão.

senti o vento quente por entre o sexo; detive-me nua diante de uma multidão. era gente sem cara, gente luminosamente branca com reflexos de rio. gente mercúrio ou gente ferro. e eu nua. na rua. tão triste.