250

é-me ácido o ar, na passagem da poesia.

o coração ardendo dentro do peito.

o peito ardendo dentro do corpo.

o corpo desfeito sob o peito.

e a alma ensanguentada rente ao rosto.

tudo o resto é névoa 

ou miragem

ou  sombra tecendo vultos no lado mais longínquo da vida.


e as palavras lidas cravam-se na pele

como facadas dolorosas e belas.

a dor infinita das coisas belas.

das palavras dos outros.

da poesia.

do imenso silêncio que só escuto na poesia.