TUM
TUM
TUM
TUM
Na minha cabeça
TUM PAPAPAPARARAPAPA TUM
PA PA PUM
Mais fundo
TUTUTUTUTUTUTUTUTUTUM
Até ao fundo
Do corpo
Da alma
Ah, a alma
TUMTUMPUM martela-me a alma
Como um prego a uma parede
PAPAPA
Marretada
Pancada seca
e aí o ECO
chegam-me os murmúrios do eco
como um rio que sobe
só sobe,
não desce
e o eco ecoa
oa
oa
oa
OA
OA
OA
PUM
PUM
PUM
E repete
O eco repete e atordoa os sentidos
É como uma cantiga que não para
PAPARA PAPARA
PAPARA
O eco é um mantra de murmúrios
Que essa essa essa essa
essa
essa
essa
NÃO CESSA!
E PUMPUMPUM
E PAPAPA
E UMA CHAPADA NA CARA E NOS OUVIDOS E NA TESTA E BEM DENTRO DA CABEÇA
E o comboio avança e o rio só sobe
E o comboio avança no rio
E o rio sobe o comboio
e valha-me nossa senhora que está um rio no comboio
acudam bombeiros,
acuda santo antoninho,
acuda um deus que acuda que está um rio no comboio
mas afinal era mentira
que ira me provoca a mentira
não havia rio
não havia comboio
não havia sequer martelo
parou?
Será que parou?
E os pregos?
Alguém viu os pregos?
Não.
Parece que por agora parou.