Acordo. Lá fora a chuva cai, os carros passam, a vida corre. Dentro dos seus casacos compridos, de caras cobertas, as pessoas percorrem apressadamente as ruas, em busca de algo que não encontram. Perguntas, respostas…Procuram, mas em vão. Apenas conseguem mais sombras, vãs esperanças daquilo que tentam desesperadamente obter. Cansadas, voltam para casa, onde, de braços abertos, as acolhe o infinito sombrio do seu futuro inexistente. Mais um dia perdido, a cada momento mais uma alma fechada, trancada junto de todas as outras, sucumbindo na mortalidade frágil do seu ser. Mais uma vela que se apaga, não resistindo àquilo que insaciavelmente a consome. Lentamente, o vazio vai-se aproximando, corrompendo qualquer esboço de felicidade que encontre no caminho. Da janela do meu quarto assisto a tudo, esperando pacientemente a minha vez, que no seu compasso melancólico se aproxima inevitavelmente…