a n t ó n i o . f r a n c o . a l e x a n d r e
"Debaixo do colchão tenho
guardado
o coração mais limpo desta
terra
como um peixe lavado pela água
da chuva que me alaga
interiormente
Acordo cada dia com um corpo
que não aquele com que me
deitei
e nunca sei ao certo se sou
hoje
o projecto ou memória do que
fui
Abraço os braços fortes mas
exactos
que à noite me levaram onde
estou
e, bebendo café, leio nas
folhas
das árvores do parque o tempo
que fará
Depois irei ali além das
pontes
vender, comprar, trocar, a
vida toda acesa;
Mas com cuidado, para não
ferir
as minhas mãos astutas de
princesa."
Quatro Caprichos, Assírio & Alvim, 1999