Desenhas-me falésias sobre a pele-mármore da barriga. A janela entreaberta deixa entrar o sol morno de final de dia enquanto o mar, do outro lado da estrada, nos envolve no seu cantar profundo.
O teu corpo sabe a sal, os teus olhos têm a dimensão do céu marcado até ao infinito. Fazemos amor deitados sobre um manto de linho branco: tecemos cordas de lírios na junção dos nossos corpos; renascem folhas nas árvores adormecidas do Outono quando nos beijamos. Cravo a delicadeza do teu rosto na memória, cada pedaço teu esculpido em mim. A respiração lenta junto ao pescoço faz com que te queira com a entrega total do desejo. Digo-te ao ouvido que és o meu homem do mar, marinheiro que tem no meu corpo o seu porto de abrigo. Sinto-te o contorno das costas, as nádegas firmes, as pernas entrelaçadas nas minhas.
Guardo a nossa imagem numa fotografia imaginária. Lanço ondas imensas sobre os nossos corpos cansados. A noite é longa fora do meu corpo, leva-me para junto de ti.