Acordas com os olhos cansados, um
fino pedaço de tecido velho cobrindo o lugar da alma. Cheiras a flores mortas,
a tua pele está baça, a voz é rouca.
Ao longe ouves o mar, adivinhas-lhe o tom de azul, cinza ou verde. O fundo
sempre negro. Escutas igualmente vozes de pessoas; risos, murmúrios. Tudo o que
esqueceste que chegou a existir.
No lado mais interior do corpo mole és um homem brando. Delicado, até. Um dia serás calvo, cego, surdo. A memória falhará como a chama ténue de uma vela gasta. Não sentirás toque algum sobre o corpo contorcido. A ponta dos dedos calejada pela caneta de tinta permanente. Ainda assim serás sábio, não te faltarão respostas, imensas perguntas. Terás lugar para tudo, perfeitamente disposto na estante de madeira escura. Quando se te acabarem as forças poderás até acreditar que sentiste a imensa dádiva da vida. Fecha os olhos e descansa em paz; que nunca ninguém te recorde que viveste tudo, menos um grande amor.
No lado mais interior do corpo mole és um homem brando. Delicado, até. Um dia serás calvo, cego, surdo. A memória falhará como a chama ténue de uma vela gasta. Não sentirás toque algum sobre o corpo contorcido. A ponta dos dedos calejada pela caneta de tinta permanente. Ainda assim serás sábio, não te faltarão respostas, imensas perguntas. Terás lugar para tudo, perfeitamente disposto na estante de madeira escura. Quando se te acabarem as forças poderás até acreditar que sentiste a imensa dádiva da vida. Fecha os olhos e descansa em paz; que nunca ninguém te recorde que viveste tudo, menos um grande amor.