dedica o silêncio às palavras
Adormeço no interior do teu corpo, a última folha de Outono caída sobre o meu colo cansado. De onde te vejo não há o brilho das estrelas, tudo é imensa, absoluta escuridão. Acaricio-te com a ponta dos dedos, sinto-te o sangue, os ossos, o coração. Esta é a última vez que te visito; espera-me o mundo inteiro, ilhas, montanhas, árvores cravadas, sulcadas em mim. Talvez nunca alcance o mar, penso, e me desfaça em pó sobre a areia de uma praia. Ainda assim, morrerei com os braços bem erguidos, completos no cimo da terra. Não chegarão as vagas noctunas nem o vento frio de Inverno; e mesmo que o sol me cegue do lado de fora do teu respirar morno, sei que o meu lugar não pertence junto ao teu.